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Montenegro diz que "não fez nem mais nem menos do que faz qualquer português"



 O líder do PSD e primeiro-ministro Luís Montenegro, considerou este sábado que "não fez nem mais nem menos do que faz qualquer português" e rejeitou ilegalidades ou ilicitudes, ironizando ao dizer que "que teve a responsabilidade de ter trabalhado".


"Acho que o primeiro-ministro não fez nem mais nem menos do que faz qualquer português", disse hoje Luís Montenegro ao concluir um raciocínio em que referiu não he parecer que fique mal "ter trabalhado", "dizer em que é que trabalhou" e que "tenha decidido que uma parte do trabalho que lançou possa ser legado a membros da sua família".


Luís Montenegro falava num almoço do PSD referente ao Dia da Mulher numa quinta na Maia (distrito do Porto) não tendo respondido a questões dos jornalistas quer à entrada quer à saída do evento.


"Se é verdade que o primeiro-ministro tem responsabilidades que mais nenhum português tem, também quero que saibam que este primeiro-ministro se sente exatamente igual a qualquer outro português. Assumindo essas responsabilidades, mas sendo igual aos outros", apontou.


Luís Montenegro voltou a reiterar que não cometeu qualquer ilegalidade ou ilicitude.


"Imputam ao primeiro-ministro alguma ilegalidade? Parece que não. Imputam ao primeiro-ministro algum comportamento ilícito? Também não. Parece que o primeiro-ministro tem a responsabilidade de ter trabalhado", ironizou.


O líder do PSD afirmou-se ainda "pronto para ir terra a terra, português a português, responder" por tudo aquilo que tenha de responder.


"Eu estou pronto para explicar que jamais tive no Governo que não em exclusividade. Chega a ser absurdo argumentar em sentido contrário. Absurdo. Alguém imagina que o primeiro-ministro possa ter estado no Governo e a fazer outra coisa ao mesmo tempo?", referiu.


Luís Montenegro afirma ainda que é "sem fundamento" que o acusam de ser "avençado de quem quer que seja", afirmando que cessou funções na empresa Spinumviva "não sendo obrigado a fazê-lo, antes de ser presidente do PSD, em 2022".


O chefe do Governo interrogou-se como é possível acusá-lo "de forma categórica e do ponto de vista político" e sair "impune".


"Eu respondo por tudo o que fiz, respondo pelo trabalho que fiz e pelo trabalho que estou a fazer", asseverou.


A empresa Spinumviva - detida até à semana passada pelos filhos e mulher de Luís Montenegro, com quem é casado em comunhão de adquiridos, e agora apenas pelos filhos, recebe uma avença mensal de 4.500 euros do grupo Solverde, noticiou o Expresso na semana passada.


A empresa revelou depois que outros dos seus clientes foram o grupo Ferpinta, a Radio Popular ou o Colégio Luso-Internacional do Porto (CLIP).


Na sexta-feira à noite, o Observador noticiou que a Spinumviva recebeu 194 mil euros da empresa do pai do candidato do PSD à Câmara de Braga, João Rodrigues.


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já admitiu a realização de eleições antecipadas em maio, após o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter anunciado uma moção de confiança ao Governo que será discutida no parlamento na terça-feira e que tem chumbo anunciado pelos dois maiores partidos da oposição, PS e Chega, implicando a demissão do executivo.


O voto de confiança foi anunciado por Luís Montenegro na terça-feira, no arranque do debate da moção de censura do PCP (rejeitada com a abstenção do PS), e em que voltou a garantir que "não foi avençado" nem violou deveres de exclusividade com a empresa familiar Spinumviva.


Se a moção for rejeitada, o chefe de Estado já disse que convocará os partidos ao Palácio de Belém "se possível para o dia seguinte" e o Conselho de Estado "para dois dias depois" -- os dois passos obrigatórios antes da dissolução do parlamento -, e admitiu eleições a 11 ou 18 de maio, que seriam as terceiras legislativas antecipadas em três anos.


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