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Portugal não tem dinheiro para pagar FMI

GOVERNO PODE CANCELAR UMA PARTE DOS REEMBOLSOS PREVISTOS AO FMI

A presidente da Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), Cristina Casalinho, revelou que os reembolsos ao FMI poderão ser cancelados este ano.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, publicada na sua edição desta segunda-feira, a presidente afirma estar orçamentado reembolsar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) 6,6 mil milhões de euros, mas que há a possibilidade de 2,6 mil milhões “não serem utilizados para amortização”.

Cristina Casalinho refere que parte dos 6,6 mil milhões de euros “depende da venda de um conjunto de ativos financeiros, que originalmente tinham a expetativa de arrecadação de quatro mil milhões” e que “havia um contributo financeiro de 2,6 mil milhões de euros”, existindo a possibilidade de, “pelo menos”, este último montante não ser utilizado “para amortização ao FMI”.

“Os 2,6 mil milhões de euros, que de alguma forma faziam parte do compromisso de financiamento, estão assegurados. Ao nível do financiamento que foi incluído no programa, acreditamos que é exequível. Agora, estes 2,6 mil milhões [previstos para o FMI] podem ter outros destinos“, explica.

A responsável acrescenta, contudo, que compete ao Governo definir prioridades, “portanto, a orientação será da tutela em relação a qual é o destino que será dado”.

Na entrevista ao Negócios, em que refere que a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos não terá impacto no financiamento deste ano, Casalinho afirma também que, “para além da questão do financiamento de origem dos fundos, o que as autoridades europeias e o FMI têm sempre dito é que estes pagamentos não podem pôr em causa o nível desejável da almofada de liquidez”.

Questionada se continua confiante na execução orçamental, a presidente do IGCP refere que “não há nenhum sinal de que os 2,5% – a meta que a Comissão Europeia definiu – não serão cumpridos”, acrescentando que, “mesmo que se afigure algum deslize, não se afigura que seja surpreendente”.

“O entendimento da nossa equipa que acompanha a execução orçamental é que está dentro da nossa margem de erro“, sustenta.

Nesta entrevista, que foi feita uma semana depois do anúncio da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Casalinho adiantou ainda não estar prevista até ao final do ano nova emissão das Obrigações do Tesouro do Rendimento variável (OTRV) e que está já a ser pensado um novo “conjunto” de novos produtos de retalho.


Em: http://zap.aeiou.pt/governo-pode-cancelar-uma-parte-dos-reembolsos-previstos-ao-fmi-128435

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