Avançar para o conteúdo principal

Cientistas criam super-bateria por acaso.

CIENTISTAS CRIAM SEM QUERER SUPER-BATERIA 400 VEZES MAIS DURADOURA

Mya Le Thai (na foto) e Reginald Penner, investigadores da UCI, criaram uma bateria com um número de ciclos de carga centenas de vezes maior que as baterias tradicionais

Quem nunca reparou que com o passar do tempo a capacidade da bateria dos smartphones e tablets começa a diminuir? O que acontece é que a maior parte das baterias são feitas de lítio, que após certo número de recargas começa a perder a capacidade.

No entanto, praticamente sem querer, investigadores da UCI – University of California Irvine desenvolveram uma bateria capaz de suportar muito mais ciclos de recarga.

O objectivo original da experiência era a criação de uma bateria mais segura e estável, já que as baterias de lítio tradicionais podem ser altamente inflamáveis, devido aos seus componentes — razão pela qual ocasionalmente se ouvem histórias sobre smartphones que explodiram, agindo como se fossem verdadeiras bombas.

Com esse problema em mente, a equipa de investigadores desenvolveu uma bateria com nano-filamentos de ouro para armazenar electricidade, revestidos com óxido de manganésio, por sua vez protegidos com uma camada de gel de electrólito.

(dr) Mya Le Thai / ACS
Diagrama da bateria com nano-filamentos de ouro e dióxido de manganésio em gel de electrólito
Diagrama da bateria com nano-filamentos de ouro e dióxido de manganésio em gel de electrólito
O intuito desta mistura de materiais era impedir a corrosão e permitir que a camada de metal ficasse mais resistente, além de manter a temperatura estável.

Mas os resultados, publicados na Energy Letters, revista da Sociedade Americana de Química, foram surpreendentes.

A bateria desenvolvida conseguiu suportar mais 200 mil cargas, praticamente sem afectar o seu desempenho – uma capacidade 400 vezes maior do que a que é possível obter nas baterias tradicionais.

Os cientistas ainda não conseguiram entender exactamente o motivo do aumento da resistência da bateria.

“Começámos os ciclos de carga dos dispositivos, e percebemos que simplesmente as baterias não pareciam sequer perto de morrer”, diz Reginald Penner, um dos autores do estudo, à revista da UCI.

“Não conseguimos perceber muito bem porque isso acontece”, diz Penner.

Ainda não há previsão para o desenvolvimento da bateria com fins comerciais – principalmente devido ao preço dos nano-filamentos de ouro, que, apesar de serem minúsculos, encarecem o produto.

Mas segundo Mya Le Thai, líder da equipa de investigação, os princípios essenciais da bateria são o óxido de manganésio e a camada de gel de electrólito.

“Deverá ser possível usar outros materiais, como o níquel, em vez do ouro”, para tornar a bateria viável do ponto de vista comercial, diz a investigadora.



Em: http://zap.aeiou.pt/cientistas-criam-sem-querer-super-bateria-400-vezes-mais-duradoura-110178

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Digi admite sair de Portugal se não tiver condições para concorrer e apela a Anacom que reconsidere prorrogação automática das licenças

O estudo da Lisbon Economics, apresentado por Abel Mateus, conclui que a proposta de renovação do espectro da Anacom congela a estrutura do mercado móvel até à década de 2040.  A Digi mostra-se surpreendida com a iminência de ver as licenças dos operadores de telecomunicações Meo, NOS e Vodafone renovadas automáticamente pela Anacom, alegando que não foi essa a expetativa que teve quando investiu em Portugal e participou no leilão da quinta geração de rede móvel. E apela para que a Anacom, a Autoridade Nacional de Comunicações, reconsidere a decisão de prorrogar automaticamente os direitos de espectro dos três maiores operadores, em nome da concorrência leal. O apelo foi feito esta sexta-feira, em Lisboa, pelo diretor executivo do grupo Digi, Valenti Popoviciu, num encontro com a imprensa portuguesa, que contou com a presença do antigo presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Abel Mateus, que apresentou um estudo feito pela Lisbon Economics, a pedido da Digi, e de acordo com...

Corvo, "a ilha que fica às escuras" no outono para salvar aves marinhas

© Andrea Zanenga, Clara Ramirez Altabas e Elisa Teixeira/SPEA-BirdLife  Todos os anos, no outono, a ilha do Corvo, nos Açores, apaga a iluminação pública durante alguns dias para ajudar as crias dos cagarros a voarem em direção ao oceano, "guiadas pelas estrelas". O "apagão" solidário foi destaque este fim de semana no The Guardian. Uma vez por ano, o Corvo, a ilha mais pequena do arquipélago dos Açores, "fica às escuras" para salvar as crias dos cagarros, uma ave marinha endémica do Oceano Atlântico. O "apagão" solidário foi, este fim de semana, destaque no The Guardian, mas desde 2019 que os cerca de 450 habitantes da ilha açoriana abraçam a causa. No outono, durante cinco noites, não há iluminação pública no Corvo para "combater os efeitos desastrosos da luz artificial" nos voos das crias dos cagarros em direção ao oceano. Segundo o jornal britânico, tudo começou em 1991, quando a comunidade se deparou com "um enorme número...