Avançar para o conteúdo principal

Quando ter petróleo não chega

Quando ter as maiores reservas de petróleo não chega

A Venezuela está em sérias dificuldades financeiras e a população enfrenta falta de comida, medicamentos e energia. A paciência dos venezuelanos está a chegar ao limite e Maduro pode não chegar ao fim do mandato

Falta um pouco de tudo na Venezuela. Comida, medicamentos e eletricidade. Falta segurança nas ruas e confiança num líder que prefere culpar os EUA pelos problemas do Estado. Vive-se mal no país com as maiores reservas de petróleo do mundo, a crise atingiu Caracas com força, e Maduro não deverá resistir até ao próximo ano.

Todos os dias há filas nos supermercados por todo o país para tentar conseguir alguns alimentos. Porém, quem estiver no fim da fila arrisca-se a não encontrar nada para comprar. Sucedem-se os saques às lojas, seja por necessidade ou revolta, e o mercado-negro é cada vez mais uma solução para os venezuelanos.

Em: http://www.tvi24.iol.pt/internacional/violencia-venezuela/venezuela-um-morto-e-varios-feridos-em-saques-a-supermercados


O governo de Nicolás Maduro não consegue importar produtos básicos como açúcar e farinha de trigo, o que está a provocar fome, tumultos e um aumento assustador do crime violento. Na semana passada, por exemplo, uma mulher que controlava uma fila num supermercado em Barquisimeto (centro do país) foi morta a tiro, alegadamente, por ter advertido uma pessoa que passou à frente de outros que já aguardavam.

A falta de energia já forçou o governo a fechar os serviços públicos três dias por semana. Os empregados do Estado que não desempenham funções essenciais só trabalham segundas e terças-feiras. Há cortes de energia de várias horas obrigatórios que deixam habitações particulares e serviços "às escuras". A raiz do problema está na seca que o país atravessa, e que deixou a barragem de Guri, responsável por 60% a 75% da energia produzida no país, com níveis de água insuficientes.


Em: http://www.tvi24.iol.pt/internacional/caracas/venezuela-prolonga-fecho-de-servicos-publicos-para-poupar-energia



A saúde é outro setor severamente afetado. Os hospitais têm falta de medicamentos e materiais essenciais para realizar cirurgias e curativos. O New York Times escreve que há falta de antibióticos, e cita um cirurgião do hospital de Caracas que diz que há recém-nascidos a morrer devido aos cortes de energia, que desligam os respiradores. No sábado, durante horas os médicos tiveram de substituir estas máquinas para tentar manter bebés vivos, ainda assim, no final do dia quatro acabaram por morrer.

O presidente da Venezuela prolongou o estado de emergência na sexta-feira, que já vigorava desde janeiro, e que deve durar pelo menos mais 60 dias. Desta forma, o presidente pode tomar decisões sem aprovação na Assembleia, tendo Maduro anunciado desde logo que o governo vai tomar as fábricas que encerraram nos últimos meses e que o exército vai iniciar exercícios no próximo fim de semana para se preparar para qualquer cenário.

Esta última ordem em particular mostra que Maduro antevê a possibilidade de problemas severos, como mais protestos violentos ou até um golpe. Porque Maduro não é Hugo Chávez, o líder populista que substituiu em 2013, e uma recente sondagem, citada pela Reuters, avança que 70% dos venezuelanos querem que o presidente abandone o cargo até ao final de 2016.

A oposição, que passou a ter maioria desde as últimas eleições, defende um referendo para este fim, enquanto o presidente insiste que há uma conspiração interna para o depor, orquestrada nos EUA, comparando a situação política da Venezuela à do Brasil, onde a presidente Dilma Rousseff foi destituída.

A culpa da grave crise económica não pode ser atribuída apenas a Maduro, a responsabilidade tem de ser dividida com Chávez, que tornou a Venezuela praticamente dependente do petróleo que exporta. O país tem as maiores reservas do mundo, e tornaram-no o mais rico da América do Sul quando os preços negociavam em alta. Porém, a queda nos preços dos últimos meses deixaram o governo sem as receitas de outros tempos.

A poupança para uma situação destas era demasiado reduzida, e os resultados estão à vista. A economia contraiu 5,7% em 2015 e as previsões apontam para uma queda de 8% este ano. A inflação pode atingir valores na ordem dos 700%, segundo previsões do FMI, e o bolívar já vale menos de 10 cêntimo de euro (Correcção do Wilson: vale menos de 0.1 cêntimo de euro, ou seja, 1 Euro vale mais de mil bolívares)



Em: http://www.tvi24.iol.pt/internacional/venezuela/quando-ter-as-maiores-reservas-de-petroleo-nao-chega

Comentários

Notícias mais vistas:

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Defender a escola pública

 1. Escrevo sobre o conflito que envolve os professores preocupada, em primeiro lugar, com o efeito que este está a ter na degradação da escola pública, na imagem e na confiança dos pais no sistema educativo, nos danos que estão a ser causados a milhares de alunos cujas famílias não têm condições para lhes proporcionar explicações ou frequência de colégios privados. Parece-me importante que, nas negociações entre Governo e sindicatos, esta dimensão do problema seja equacionada. Escrevo, em segundo lugar, porque espero poder dar um contributo para a compreensão e boa resolução do conflito, apesar de todo o ruído e falta de capacidade para ouvir. 2. Nos anos pré-pandemia, eram muitos os sinais das dificuldades das escolas em prestar um serviço de qualidade. A existência de milhares de alunos sem professor, em várias disciplinas e em vários pontos do país, gerou um clamor sobre a falta de docentes e a fraca atratividade da carreira. Porém, o problema da falta de professores nas escola...