Avançar para o conteúdo principal

Água são dois líquidos e não apenas um, comprova estudo da Universidade de Aveiro


É a confirmação de uma teoria com mais de 130 anos. Afinal, a água é uma mistura de dois líquidos, comprovaram cientistas de Aveiro. A descoberta pode ajudar nos processos de dessalinização.

Foto
A ideia de que a água pode ser descrita como uma mistura de duas estruturas diferentes de ligações de hidrogénio foi proposta pela primeira vez em 1892 por Wilhelm Röntgen EPA/SHAHZAIB AKBER

água não é um líquido: são dois líquidos entrelaçados, de acordo com a investigação de uma equipa da Universidade de Aveiro, que abre novas perspectivas à dessalinização da água do mar, revelou nesta sexta-feira, 22 de Março, uma fonte académica.

Os investigadores utilizaram nanopartículas emissoras de luz para seguir o movimento das moléculas de água em redor da nanopartícula à medida que a temperatura do fluido aumenta.

“Observámos dois tipos distintos de movimento, sugerindo que, abaixo dos 45 graus Celsius, a água alterna entre o estado líquido de baixa densidade (LDL) e o estado líquido de alta densidade (HDL), mais comum na água líquida, fazendo com que as nanopartículas se movam mais lentamente”, diz Luís Carlos, um dos investigadores da equipa da Universidade de Aveiro. “Acima desta temperatura, a água existe maioritariamente no estado HDL, o que leva a um movimento mais rápido das nanopartículas”, acrescenta Luís Carlos.

Ao controlar a proporção relativa das estruturas moleculares LDL e HDL, os cientistas poderão agora ser capazes de influenciar o comportamento da água líquida.

Luís Carlos dá como exemplo a existência no futuro de um processo de dessalinização da água mais efectiva. “O LDL é 20% menos denso do que o HDL, afectando a forma como a água se move, o que poderá ajudar-nos a remover o sal da água do mar com mais eficiência”, antevê.


Os investigadores Carlos Brites, Fernando Maturi, Luís Carlos e Ramon Filho

A explicação é de que “a água se comporta de forma 'camaleónica', existindo como uma mistura de duas formas: um líquido de baixa densidade (LDL) e um líquido de alta densidade No primeiro, as moléculas ligam-se ocupando um volume maior, enquanto no segundo, o líquido de alta densidade, as moléculas ligam-se de forma mais compacta”, aponta o investigador.

A ideia de que a água pode ser descrita como uma mistura de duas estruturas diferentes de ligações de hidrogénio foi proposta pela primeira vez em 1892 por Wilhelm Röntgen, um físico alemão que recebeu o primeiro Prémio Nobel da Física em 1901 como reconhecimento pela sua descoberta do raios-x, tendo sido revisitada no final do século XX.

“Embora haja evidências que confirmem a coexistência destas duas formas da água a temperaturas muito baixas, a sua comprovação à temperatura ambiente tem sido um quebra-cabeças”, explica Luís Carlos.

Além de Luís Carlos, a equipa de investigação contou com a participação de Fernando Maturi, Ramon Filho e Carlos Brites, todos investigadores do Departamento de Física e do Instituto de Materiais de Aveiro, e teve ainda a parceria da Universidade de Singapura e da Faculdade Harvey Mudd (Estados Unidos). 


Água são dois líquidos e não apenas um | Química | PÚBLICO (publico.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Startup francesa cria drone cargueiro de baixo consumo com tecnologia de asa pneumática

Foto: Celeste Ecoflyers  Uma startup francesa chamada Celeste Ecoflyers está desenvolvendo um drone cargueiro de asa pneumática voltado para missões logísticas de longa duração e baixo consumo energético. Batizada de dAS10, a aeronave concluiu recentemente testes de ativação de aviônicos e taxiamento no aeroporto de Le Havre, na França, avançando para a próxima etapa de desenvolvimento. O diferencial do projeto está na estrutura das asas: em vez de utilizar componentes rígidos tradicionais, o drone emprega uma espécie de envelope têxtil pressurizado. Segundo a empresa, essa mudança reduz significativamente o peso da aeronave, permitindo maior eficiência energética e aumentando a autonomia de voo. “Celeste não é um dirigível, é uma aeronave de asa fixa. O elevador é aerodinâmico, não flutuante. O que é pneumático é a própria estrutura da asa: um envelope têxtil pressurizado substituindo a pele rígida e os spars, que é o que torna a fuselagem implantável, reparável em campo e lhe dá ...

O que aconteceu à petição para proibir a condução aos 75 anos? Vai avançar?

 Há uns meses, a ideia de proibir toda a gente de conduzir a partir dos 75 anos incendiou as redes sociais. Era discutida ao café, partilhada no Facebook, defendida com paixão e atacada com a mesma força. Passado este tempo, vale a pena fazer a pergunta honesta: em que é que isto ficou? E será que os números que sustentavam a ideia se aguentam de pé? Vai-se mesmo proibir a condução aos 75 anos? Proibir a condução aos 75 anos: o que era isto de facto? Convém esclarecer uma coisa que se perdeu no meio do barulho: isto nunca foi uma proposta do Governo nem um projeto de lei. Foi uma petição pública, lançada a 1 de abril de 2026, dirigida à Assembleia da República. Pedia três coisas: a proibição total da condução a partir dos 75 anos, o fim automático da validade da carta nessa idade e a criação de alternativas de transporte para os idosos afetados. Uma petição não muda a lei sozinha. Para os peticionários serem ouvidos em comissão são precisas mil assinaturas. Para o tema se debater n...

Serpentes venenosas podem chegar em breve ao seu bairro

  Cobra-coral de cores vivas entre folhas caídas na Amazónia brasileira -  Direitos de autor  Gabriel Rondina/ Pexels Espécies de serpentes altamente venenosas, como a víbora-de-água na América do Norte, os kraits na Ásia e a mamba-negra em África, poderão mudar cada vez mais de habitat devido ao aumento das temperaturas e à pressão humana. Temperaturas mais altas podem aumentar o risco de mordeduras de serpente em todo o mundo, à medida que estes animais mudam de habitat, conclui um novo estudo. Liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o estudo foi publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases esta quinta-feira. Destaca que mais serpentes podem aproximar-se de zonas densamente povoadas e de regiões que nunca lidaram com espécies de répteis venenosos, na tentativa de fugir ao aumento das temperaturas e à ocupação dos seus habitats pelos humanos. Esta deslocação poderá aumentar os encontros entre serpentes e pessoas, com mais mordeduras e mais animais mort...