Avançar para o conteúdo principal

Trump coloca Washington sob controlo federal e ordena envio de militares da Guarda Nacional



 O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta segunda-feira que iria colocar a polícia de Washington sob controlo das autoridades federais e enviar 800 soldados da Guarda Nacional para a capital dos EUA. As medidas visam combater o que Trump apelidou de "onda de ilegalidade", apesar de as estatísticas mostrarem uma diminuição da criminalidade violenta em Washington.


"Estou a enviar a Guarda Nacional para ajudar a restabelecer a lei, a ordem e a segurança pública em Washington D.C.", anunciou Trump numa conferência de imprensa na Casa Branca, acompanhado por responsáveis governamentais, incluindo o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e a procuradora-geral, Pam Bondi.


Para além disso, o presidente norte-americano anunciou ainda que iria colocar o departamento de polícia de Washington sob controlo federal para combater o que chamou de uma “onda de ilegalidade”.


"A nossa capital foi tomada por gangues violentos e criminosos bárbaros", declarou. "Isto tornou-se uma situação de completa e total ilegalidade, e vamos livrar-nos das bairros de lata", acrescentou. As descrições de Trump sobre o que se passa em Washington contrastam com os números oficiais, que mostram que os crimes violentos na capital norte-americana atingiriam o nível mais baixo em 30 anos em 2024.


Trump prometeu ainda tomar medidas para combater os sem-abrigo e a degradação na capital. "Tornou-se uma situação de anarquia completa e total", disse.


No domingo, Trump já tinha prometido que ia apresentar um plano para combater o crime em Washington e disse que as pessoas em situação de sem-abrigo têm de “se mudar imediatamente” da capital.


O presidente republicano também prometeu que a sua iniciativa não se limitaria a Washington, onde decretou o estado de emergência. "Isto vai mais longe. Estamos a começar de forma muito forte [em Washington] e vamos limpar isto rapidamente", afiançou.


Trump ameaçou ainda enviar as Forças Armadas dos EUA "se necessário" e Hegseth disse estar preparado para convocar tropas adicionais da Guarda Nacional de fora de Washington.

Ataque a cidades democratas

Há várias semanas que Trump tem vindo a ameaçar reforçar o combate ao crime em Washington e na última semana intensificou a sua retórica, sugerindo que poderia tentar retirar a autonomia local à cidade e implementar uma tomada federal completa.


Ao contrário dos 50 Estados norte-americanos, o Distrito de Columbia (Washington D.C.) rege-se por um regime especial com o governo federal que limita a sua autonomia. A capital opera ao abrigo da Lei de Autonomia, que concede ao Congresso a autoridade máxima, mas permite aos residentes eleger um presidente da Câmara e um conselho municipal.


A Lei de Autonomia de 1973 permite ao presidente assumir o controlo da polícia da cidade durante 48 horas se "determinar a existência de condições especiais de natureza de emergência", o que exige a utilização do departamento para fins federais. 


Esta segunda-feira, Trump disse estar a declarar uma "emergência de segurança pública" em Washington.


O anúncio de Trump é o seu mais recente esforço para atingir cidades sob bandeira democrata, exercendo o poder executivo em questões tradicionalmente locais.


Recentemente, em junho, o presidente norte-americano já tinha mobilizado a Guarda Nacional na Califórnia contra a opinião do governador democrata Gavin Newsom, alegando que queria repor a ordem em Los Angeles após protestos contra as detenções de imigrantes por parte da Agência Federal de Imigração e Alfândega (ICE).


No caso de Washington, Trump usou o argumento de estar a combater o que chama de “onda de ilegalidade” na cidade. A presidente da Câmara democrata de Washington, Muriel Bowser, refutou as afirmações de Trump, afirmando que a cidade "não está a passar por um pico de criminalidade", citando as conclusões de relatórios oficiais que mostram que a criminalidade violenta atingiu o seu nível mais baixo em mais de três décadas. Nos primeiros sete meses de 2025, os crimes violentos caíram 26%, após uma queda de 35% em 2024, e a criminalidade geral caiu 7%, de acordo com o departamento de polícia da cidade.


Desde a década de 1980 que Trump utiliza o crime como ferramenta política. Um dos casos mais controversos foi o seu apelo, em 1989, à pena de morte no caso que ficou conhecido como “Os cinco do Central Park”, que envolveu cinco adolescentes negros e latinos posteriormente exonerados da acusação de violar e espancar uma mulher no famoso parque em Nova Iorque.


Trump coloca Washington sob controlo federal e ordena envio de militares da Guarda Nacional


Comentários

Notícias mais vistas:

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

Filhos de Donald Trump investem em startup de drones que quer usar tecnologia ucraniana

  Foto: Instagram @powerus_ Os filhos do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , estão apoiando um novo fabricante de drones chamado Powerus, uma startup que pretende integrar tecnologia desenvolvida na Ucrânia em seus sistemas. A informação foi divulgada pelo  The Wall Street Journal . A empresa, fundada em 2025 em  West Palm Beach , na Flórida, planeja abrir capital na Nasdaq em breve. O movimento deve ocorrer por meio de uma fusão com a holding Aureus Greenway, que possui vários campos de golfe no estado da Flórida. Entre os acionistas da  Aureus Greenway  estão o fundo de investimentos da família Trump, American Ventures, a empresa Unusual Machines — onde Donald Trump Jr. atua como acionista e membro do conselho consultivo — e o banco de investimentos Dominari Securities, também ligado à família Trump. Foto: Instagram @powerus_ Segundo Andrew Fox, CEO da Powerus, a estratégia de fusão reflete a aposta em um setor com forte crescimento global. “O ...

Wall Street começa a chamar a atenção para os "ecos" da pior crise do século

  Para alguns investidores proeminentes, os paralelos com a crise dos subprimes parecem óbvios. Mas não há um consenso claro em Wall Street Nova Iorque -  Durante meses, investidores e analistas têm acompanhado de perto o obscuro setor financeiro conhecido como crédito privado, onde os sinais de alerta têm alimentado receios de uma repetição da crise financeira de 2008. Ainda não é claro se estes alertas representam apenas alguns erros isolados ou uma fragilidade sistémica mais grave no setor de 1,8 mil milhões de dólares. Mas, se esta última hipótese for sequer remotamente possível, vale a pena perceber o que raio se está a passar. Uma breve introdução ao "crédito privado" De uma forma muito simples, o termo refere-se aos investidores que emprestam dinheiro diretamente a empresas privadas, sem passar pelos bancos. Os mutuários — geralmente pequenas empresas que os bancos considerariam demasiado arriscadas ou complexas para um empréstimo tradicional — pagam uma taxa de juro m...