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Planeta chocado com herança do Socialismo

País de petróleo está às escuras, sem higiene nem alimentos; o planeta está chocado com a herança do Socialismo.

Venezuelanos convivem às escuras pois a luz é racionada, para alegria das bactérias e dos ladrões.

A oposição venezuelana, liderada por Júlio Borges, está a forçar o governo a aceitar a situação de “emergência nutricional". A declaração, proferida na terça-feira passada, é arrojada e quer forçar o governo a importar alimentos básicos e obrigar a que as “empresas e terras expropriadas pelo governo voltem a ser de novo produtivas". E Borges justifica: "Isto vai simplificar o processo de investimento interno e externo e estabelecer incentivos para os investidores".

A medida foi criticada pelos partidos de esquerda, que alegam que Borges não tem poder legislativo para a aplicar. Entretanto, o Supremo Tribunal da Venezuela esteve a analisar a legitimidade da medida de "emergência nutricional", que iria confrontar a anterior decisão de Nicolás Maduro, o presidente, de ter declarado "emergência económica", vetada pela oposição.

Ultrapassando as nuances semânticas e políticas, o povo é quem mais está a sofrer. Consecutivos anos de Socialismo levaram o país ao descalabro. Se há umas semanas a imprensa denunciava a inflacção venezuelana em 700%, hoje já não há ninguém que desconheça as longas filas, criadas às 3 da manhã, para por vezes se comprar apenas 1 litro de leite e uma garrafa de óleo, os únicos artigos disponíveis nas prateleiras. E o jornal ABC relata que é frequente os venezuelanos passarem 5 horas na fila de espera para comprarem um frango e outros bens básicos e saírem de lá apenas com 1 kg de arroz e um pacote de leite. A situação vai ao ridículo de haver quem alugue pessoas para irem para as filas dos supermercados. Na Venezuela os telemóveis são agora frequentemente usados para filmar cenas de quotidiana violência nos supermercados.


Borges recorda que a Venezuela foi durante muito tempo auto-suficiente em milho e arroz e que agora tem de importar estes produtos do México e dos EUA. Mas o governo vê nesta declaração da oposição mais uma porta aberta ao imperialismo dos EUA.

E já não chegava a escassez de óleo, leite ou produtos higiénicos. Agora, na Venezuela, os centros comerciais e supermercados estão sem luz. Isto acontece porque o governo decidiu racionar a energia. A medida de racionamento acontece durante a tarde, nos períodos das 13 às 15 horas e 19 às 21 horas.

O governo reconheceu que a medida pode fazer encerrar estabelecimentos comerciais e gerar mais desemprego e admite que poderão ser afectados pelo menos 250 centros comerciais com esta medida. E não há apenas descontentamento na população, mas também profundas preocupações acerca da segurança destes locais sem iluminação. As autoridades venezuelanas justificam a medida como sendo temporária, resultante de uma quebra da produção hidro-eléctrica causada pelo El Niño.

Borges também justifica que o governo se desleixou e não investiu o suficiente na rede energética. E o Ministro da Eletricidade Luis Motta disse, na semana passada, que o governo está a "tentar minimizar o problema".

Crítica desta medida é Claudia Itriago, que denuncia uma situação delicada: "O governo impôs-nos um controle apertado de capitais que nos impede de importar o equipamento necessário". Itriago, que representa uma associação de centros comerciais, considera que a medida de racionamento vai afectar os 2.5 milhões de pessoas que habitualmente recorrem a estes centros.

Economistas, proprietários e empregados receiam que a medida vá ainda aumentar mais os prejuízos e despedimentos. A crise venezuelana acentuou-se ainda mais depois da recente queda abrupta dos preços de petróleo. Mas é agora evidente que anos consecutivos de desinvestimento e desleixo dos governos socialistas geraram o actual escândalo social e deixaram os venezuelanos desprevenidos. A economia da Venezuela diminuiu 10% em 2015 e o FMI prevê que vai diminuir mais 8% em 2016.

Cenários muito negros para a Venezuela, onde se encontram milhares de portugueses emigrados.


Em: http://pt.blastingnews.com/internacional/2016/02/venezuela-situacao-vai-de-mal-a-pior-00786493.html

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