Avançar para o conteúdo principal

O aparente paradoxo dos preços dos elétricos na Alemanha


© Karolis Kavolelis / Shutterstock


 "Os preços nominais dos modelos BEV [elétricos], sem ajuste pela inflação, mantiveram-se quase constantes entre 2020 e 2025. Por contraste, o preço nominal dos veículos de combustão aumentaram cerca de 24 por cento no mesmo período".


Na Alemanha, o preço médio dos carros elétricos está a subir, mas os modelos também ficaram mais acessíveis. É o que mostra um estudo recentemente divulgado, referente ao período entre 2020 e 2025.


Entre 2020 e 2025, os modelos de carros elétricos ficaram mais acessíveis na Alemanha - apesar de também se ter registado um aumento do preço médio no mesmo período.


São as conclusões de um estudo do Conselho Internacional para os Transportes Limpos e do Fraunhofer ISI, divulgado na última segunda-feira (20 de julho).


Foram feitas mais de 100 mil observações de combinações entre marca, modelo, motorização, entre outras especificações. O objetivo foi apurar que tendências existem nos vários segmentos de veículos de passageiros - desde os mais pequenos aos de luxo.


Segundo se lê, o preço dos automóveis elétricos comparáveis baixou cerca de 18 por cento em termos reais (sendo feito o ajuste conforme a inflação). No mesmo período, o preço das viaturas com motores de combustão aumentou cerca de dois por cento.


Diz o estudo que, em termos reais, o custo médio dos elétricos caiu entre 35 e 37 por cento. E explica: "Os preços nominais dos modelos BEV [elétricos], sem ajuste pela inflação, mantiveram-se quase constantes entre 2020 e 2025. Por contraste, o preço nominal dos veículos de combustão aumentaram cerca de 24 por cento no mesmo período".


Um dos componentes mais caros de um carro elétrico é a bateria. E, segundo o relatório, neste caso "os custos globais médios nominais da bateria baixaram entre 21 e 24 por cento" - redução que chega aos 35 a 37 por cento se for feito o ajuste pela inflação. No entender de quem redigiu o relatório, esta baixa de custos "criou o potencial para preços de aquisição de carros elétricos mais baixos", mas não houve um reflexo nisso.


Porquê? Pode também ler-se que os fabricantes "não passaram totalmente os avanços na produção de baterias para os clientes" por terem dado primazia a melhorias como a disponibilização de maior autonomia ou com o redirecionar de investimentos. No campo da autonomia, esta melhorou em 30 por cento.


Também há significativamente mais modelos de automóveis elétricos disponíveis na Alemanha (subiram de 38 em 2020 para 159 no ano passado) - com propostas para diferentes segmentos e patamares de preços. Os segmentos médio baixo, médio e médio alto representavam 73 por cento dos BEV no ano passado, sendo 116. Já os segmentos de dimensões reduzidas (mini e pequenos elétricos) teve uma contribuição que não foi além dos 14 por cento - o que, entendem os autores do estudo, evidencia "uma disponibilidade menor de elétricos a custos mais baixos".


O preço desceu ao nível de modelo, mas em todos os segmentos o preço médio nominal de um BEV cresceu 42 por cento (de 38 mil euros em 2020 para 54 mil euros em 2025). O estudo atribui este fenómeno, sobretudo, a "uma mudança nos modelos disponíveis - com uma quota crescente de veículos elétricos grandes e do segmento médio alto a entrarem no mercado". No caso dos modelos de combustão, o aumento do preço médio nominal foi de 15 por cento (de 41 mil para 46 mil euros).


O aparente paradoxo dos preços dos elétricos na Alemanha - Notícias ao Minuto


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Plataforma pública “Licencia com Inteligência Artificial” vai cortar tempos de espera em “pelo menos 60%”

 O ministro da Reforma do Estado sublinhou que as empresas portuguesas têm uma baixa adoção de IA, o que deixa mais margem para acelerar a produtividade nacional. O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias, sublinhou que as empresas portuguesas têm uma baixa adoção de inteligência artificial (IA), mas considera que esse atraso pode transformar-se numa oportunidade para acelerar a produtividade e a competitividade da economia, pela margem por explorar que está disponível. “As nossas empresas têm uma baixa adoção de IA. As pequenas e médias empresas correspondem a 99% do tecido empresarial português e a adoção de IA é baixa. É preciso apoiar estas empresas a introduzir IA nos seus modelos de negócio para poderem competir no plano global”, disse o ministro na Conferência “Futuro do trabalho 5.0”, no estúdio do ECO., na qual se discutiu as novas tendências do trabalho e de que forma a tecnologia as está a moldar. Para além das empresas, outras das prioridades ide...

Seguro dá ‘luz verde’ a apoio no gasóleo agrícola e extensões no passe ferroviário e handling

 Presidente da República promulga três diplomas do Governo. Entre eles está o alargamento do passe às linhas urbanas da CP em Lisboa e Porto, que está agora pronto para arrancar. O Presidente da República, António José Seguro, publicou esta sexta-feira três diplomas do Governo, entre os quais um que prorroga os apoios excecionais e temporários de compensação pela escalada do preço dos combustíveis atribuídos aos setores agrícola, florestal, das pescas e da aquicultura. Em causa está um desconto de 10 cêntimos por litro no gasóleo colorido e marcado para o setor agrícola e florestal, que será pago até ao final do ano. Um apoio que tinha vigorado até 30 de junho e que será assim prolongado até 31 de dezembro. Outro prolongamento – neste caso até ao fim do concurso para a atribuição das novas licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – recebeu também ‘luz verde’ em Belém. O Executivo aprovou uma solução transitória que permite estender até dois anos o pr...