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Necessidade de energia barata afasta centros de dados dos centros urbanos



Necessidade de energia mais barata afasta centros de dados até 175 km dos centros urbanos


Análise na regia EMEA indica que os centros de dados estão a ser instalados onde existe energia e não onde existe mais procura, demonstrando uma “mudança fundamental” na forma como são planeadas estas infraestruturas.


O mercado europeu de centros de dados está a atravessar uma profunda transformação estrutural, à medida que o acelerado investimento em infraestruturas de inteligência artificial (IA) esbarra em “graves limitações de acesso à energia” nos principais centros urbanos, alterando os locais onde será construída a próxima geração de infraestruturas digitais. Segundo uma nova análise sobre a região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), os centros de dados de grande dimensão (data centres hyperscale), concebidos para suportar enormes quantidades de processamento e armazenamento de dados, previstos para 2026 a 2028, estarão localizados em média a 175 quilómetros dos principais centros da região, contra apenas 46 quilómetros nos projetos concluídos entre 2022 e 2025.


A projeção da JLL, empresa global de serviços imobiliários e gestão de investimentos com operações em mais de 80 países, revela que, embora os principais mercados europeus continuem a registar uma procura recorde, os promotores e os fornecedores de serviços de cloud de hiperescala estão cada vez mais a procurar alternativas às localizações tradicionais.


A IA é o principal motor desta transformação, uma vez que as cargas de trabalho exigem terrenos significativamente maiores, maior disponibilidade de energia e prazos de construção mais rápidos do que os centros de dados empresariais convencionais, revela a JLL.


O relatório indica também que os quatro maiores fornecedores mundiais de serviços de cloud de hiperescala deverão investir cerca de 621 mil milhões de euros em despesas de capital durante 2026, um aumento de 77% face aos cerca de 351 mil milhões de euros comprometidos em 2025, sendo a esmagadora maioria do investimento direcionada para computação de IA e infraestruturas de centros de dados.


A JLL estima que as cargas de trabalho de IA representarão cerca de metade de toda a capacidade mundial de centros de dados até 2030, criando uma procura sem precedentes por infraestruturas digitais de grande escala em toda a região EMEA.


“Estamos a assistir a uma mudança fundamental na forma como são planeadas as infraestruturas de centros de dados. Historicamente, os operadores construíam o mais perto possível dos grandes centros populacionais, mas as atuais infraestruturas de treino de IA seguem uma lógica diferente”, afirma Assad Noori, responsável pelos centros de dados da Work Dynamics EMEA. “O fator determinante é cada vez mais o local onde é possível garantir energia suficiente, em vez de simplesmente onde existe procura. Os centros de dados estão a ser levados para onde está a energia, e não o contrário.”


Limitações regulatórias e da rede elétrica

Embora o investimento continue a acelerar, os mercados europeus de centros de dados mais consolidados enfrentam limitações crescentes relacionadas com a disponibilidade da rede elétrica, as restrições ao planeamento e a escassez de terrenos, indica a JLL.


A capacidade operacional conjunta dos cinco principais mercados europeus de centros de dados — conhecidos como FLAP-D (Frankfurt, Londres, Amesterdão, Paris e Dublin) – atingiu já 3,8 GW, mais do que duplicando desde 2019. Há atualmente mais 1,4 GW em construção e 2 GW em projetos planeados, enquanto se prevê que as novas entregas anuais atinjam 453 MW em 2026, quase o triplo do nível registado em 2020, refere a gestora de investimentos.


Apesar deste crescimento, a oferta continua a ter dificuldade em acompanhar a procura. A taxa de disponibilidade nos mercados FLAP-D mantém-se em apenas 6,4%, com Frankfurt a registar o mercado mais restrito da região, com 3,1%, refletindo as limitações persistentes à criação de nova capacidade. Paris foi o mercado com melhor desempenho no primeiro semestre de 2026, com 72,5 MW de nova capacidade, ultrapassando já a previsão para todo o ano, numa altura em que França continua a beneficiar de uma forte disponibilidade de energia e de investimento em infraestruturas de IA.


“Os mercados centrais da Europa continuarão a ser fundamentais porque a procura empresarial não vai desaparecer. No entanto, as infraestruturas de IA de hiperescala exigem uma escala completamente diferente em termos de energia e terrenos”, afirma Martin Jensen, presidente da divisão EMEA de centros de dados da JLL. E acrescenta: “Estas necessidades estão a acelerar o investimento em mercados secundários, projetos greenfield [n.R: construção de raiz] e localizações totalmente novas capazes de suportar a próxima geração de capacidade de IA.”


O novo mapa dos centros de dados

Em vez de travarem o investimento, estas limitações estão a alterar os locais onde os projetos são desenvolvidos.


Os projetos ‘greenfield’ representam já 39% da carteira futura da Europa, contra apenas 8% dos projetos concluídos nos três anos anteriores, demonstrando uma mudança estrutural dos tradicionais parques industriais para terrenos regionais de maior dimensão, capazes de acomodar infraestruturas à escala exigida pela IA.


O relatório destaca ainda que a mesma tendência está a surgir em toda a região EMEA.


Embora o aumento das tensões regionais tenha abrandado o ritmo de execução dos projetos nos últimos meses, o Médio Oriente continua a afirmar-se como um dos mercados de infraestruturas de IA com crescimento mais rápido do mundo, destaca a JLL. A região tem atualmente 2,6 GW de capacidade em construção e outros 13,8 GW em projetos planeados, prevendo-se que a capacidade quadruplique até 2030.


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