terça-feira, 7 de agosto de 2018

2018 caminha para ser ano recorde de mortes em Portugal

Entre sábado e domingo morreram 643 pessoas, das quais 78,5% com idade igual ou superior a 75 anos. Até ao passado fim-de-semana, morreram cerca de 71 mil pessoas. Este ano pode registar um recorde de mortes em Portugal.

Segundo o Diário de Notícias, 2018 caminha a passos largos para registar um recorde de mortes em Portugal. Até ao último fim-de-semana, morreram cerca de 71 mil pessoas, mais três mil do que em igual período de 2017 e 2016, os dois anos em que se atingiu os máximos de mortalidade.

De acordo com o jornal, esta é uma tendência que pode ser explicada, sobretudo, pelo envelhecimento da população, e ainda agravada pela vaga de calor dos últimos dias, que já terá contribuído muito para a subida do número de óbitos no fim-de-semana.

O Jornal de Notícias escreve que, entre sábado e domingo, morreram 643 pessoas, das quais 78,5% com idade igual ou superior a 75 anos e sendo que 97% dos óbitos ficaram a dever-se a causas naturais.


Segundo o DN, o número de mortes no país tem aumentado de forma gradual nos últimos anos, até se situar nos 110 mil, e em 2016 superou mesmo, pela primeira vez, esse patamar, quando há dez anos se situava nos 104 mil.

Por sua vez, 2008 foi um ano de mudança histórica na demografia nacional: o país passou a ter mais óbitos do que nascimentos, um fenómeno que atingiu um pico no ano passado, com um saldo negativo de cerca de 24 mil pessoas, e que corre o risco de se agravar ainda mais este ano, uma vez que a natalidade não dá sinais de aumentar.

“Falta o segundo semestre todo, mas mantendo a evolução dos últimos meses, e com esta onda de calor, podemos vir a agravar os indicadores de mortalidade”, afirma ao jornal Maria Filomena Mendes, presidente da Sociedade Portuguesa de Demografia.

De acordo com as estimativas divulgadas em junho pelo Instituto Nacional de Estatística, Portugal perderá população até 2080, passando dos atuais 10,3 milhões de pessoas para 7,7 milhões, ficando abaixo dos dez milhões já em 2033.

Em maio, um estudo feito pela Fundação Francisco Manuel dos Santos já indicava que Portugal arrisca tornar-se “um deserto de pessoas” porque, sem migrações, a população pode decrescer dos 10,4 milhões de pessoas para os cerca de 7,8 milhões em 2060.

https://zap.aeiou.pt/2018-pode-ser-ano-recorde-mortes-213559

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Conhece os “fantasmas” no mundo do trabalho?

Fenómeno de ‘ghosting’ está a crescer nos EUA, com muitos trabalhadores a abandonarem a empresa sem uma palavra ou desistindo a meio de um processo de recrutamento.

Num dia, tudo está bem, e o director de Recursos Humanos de uma empresa está perto de fechar a contratação de vários funcionários, depois de entrevistas e de várias fases do recrutamento. De repente, os candidatos não voltam para completar o processo. Mais, não dizem mais nada e nem sequer atendem o telefone do seu possível futuro empregador. Tornaram-se, de um momento para o outro, em fantasmas laborais.

O fenómeno é retratado num artigo recente da equipa editorial do Linkedin, com ênfase nos EUA, onde a situação está a alastrar. É que o chamado ‘ghosting’ não está só a acontecer com trabalhadores ainda não contratados; há funcionários que simplesmente se levantam e nunca mais aparecem.

Há várias teorias que podem justificar o aumento destes comportamentos. Por um lado, os EUA estão em pleno emprego e com bom crescimento económico. Há mais vagas por preencher do que trabalhadores – sobretudo qualificados – para ocupar esses lugares. Isto nunca tinha acontecido desde que o Departamento norte-americano do Trabalho começou a recolher estes dados, há 18 anos. O que isto provoca é que a relação de forças se desequilibrou, de forma atípica, em favor dos trabalhadores, e em detrimento das empresas, que habitualmente têm todo o poder.

Com tamanha procura e abundância de oportunidades de trabalho, há muitos anos que não era tão fácil mudar de emprego nos EUA, que têm regras muito flexíveis na quebra de vínculos laborais. Segundo o mesmo artigo, em Março, o número de saídas de funcionários das empresas norte-americanas bateu um novo recorde, sendo que dois terços dessas saídas foram por iniciativa do trabalhador.

Esta vitalidade do mercado de trabalho não tem nada de errado, até porque surge depois de décadas em que os funcionários não tinham muitas vezes a hipótese de escolher entre vários empregos. O problema é a forma como estas saídas se estão a dar, de forma abrupta, sem explicações, e muitas vezes sem uma simples informação. E, na hora de ir recrutar, o problema é o mesmo. As empresas têm agora de lutar pelos trabalhadores e mesmo que o encontro de vontades esteja bem encaminhado, isso não é garantia nenhuma. Há candidatos que desaparecem depois de várias conversas, e outros que até terminam o processo com sucesso e depois pura e simplesmente não aparecem.

O trabalho do Linkedin dá algumas pistas sobre este comportamento. Por um lado, há uma nova geração no mercado de trabalho, habituada a comunicar através das redes sociais ou de mensagens, e que não têm as competências de comunicação humana que lhes permita perceber que é falta de educação simplesmente tornar-se fantasmas. Mais, são jovens adultos que não querem lidar com o confronto, a desilusão e a frustração que eventualmente os espera quando dizem a um recrutador que, afinal, não querem trabalhar para aquela empresa. Perante a situação, muitos desaparecem e não se deixam contactar.

Seja qual for a razão, este fenómeno não é isento de penalizações para quem o pratica. Não são só os candidatos a um emprego que escolhem outra empresa, os próprios responsáveis de Recursos Humanos também mudam de companhia. E dificilmente darão uma oportunidade, em qualquer empresa, a alguém que já lhes tenha pregado a partida do fantasma.

O ‘ghosting’ é um termo que, nos EUA, já era aplicado no mundo do namoro e das relações amorosas. Segundo Amanda Bradford, CEO e fundadora do The League, uma app de encontros, o ‘ghosting’ “tornou-se quase uma nova linguagem, em que uma não resposta é uma resposta”. Ou seja, para não magoar ou desapontar um pretendente, a outra pessoa deixa, pura e simplesmente de responder, partindo do princípio de que a sua posição fica, assim, clara. Para uma geração para quem é habitual conhecer parceiros amorosos em plataformas como o Tinder, este comportamento é visto como normal. E Bradford está a sentir o mesmo enquanto empregadora, ao procurar engenheiros para trabalhar na sua empresa. O que se passava no mundo dos encontros, “está agora a acontecer no mercado de trabalho”, reconhece.

As dificuldades dos recrutadores são tais que muitos estão a trabalhar em regime de ‘overbooking’: tentam seduzir muito mais trabalhadores dos que as vagas que têm disponíveis, porque sabem que vários vão desaparecer ao longo do processo.

Estes problemas não são totalmente novos. No início do século, antes do rebentamento da bolha das dotcom, foi possível detectar alguns destes comportamentos, num momento em que o mercado de trabalho estava também escasso de candidatos e abundante em oferta.

E se as empresas se queixam agora, a verdade é que muitas estão apenas a receber dos trabalhadores o mesmo tratamento que lhes destinaram, durante décadas. A frustração de mandar currículos e não receber uma única resposta, não conseguir falar com os Recursos Humanos de uma instituição onde se quer trabalhar, tudo isso é visto como habitual. Agora, as coisas estão ao contrário. E as empresas têm de se adaptar.

http://visao.sapo.pt/exame/2018-06-27-Conhece-os-fantasmas-no-mundo-do-trabalho-

domingo, 5 de agosto de 2018

Cientistas criam minicérebros de Neandertal em laboratório

Um grupo de cientistas norte-americanos está a usar células estaminais para desenvolver minicérebros que contêm ADN Neandertal. O verdadeiro objetivo desta investigação centrou-se em entender como se desenvolveu o órgão que faz de nós que realmente somos.

Os cientistas já tinham conseguido cultivar cérebros em miniatura a partir de células estaminais e, embora seja um grande passo na ciência, não é uma novidade. Mas, agora, conseguiram desenvolver cérebros neandertais e isto sim, é uma descoberta que nos deixa boquiabertos.

À frente do projeto está um grupo de cientistas da University of California San Diego School Of Medicine, projeto esse que só foi possível graças à ajuda e cooperação de várias áreas de investigação científica.

Os organóides (versões miniatura de órgãos usados para investigação) foram criados anteriormente a partir de tecido cerebral humano moderno. Todavia, a equipa de cientistas tem usado ADN Neandertal para criar pequenas versões do córtex da espécie humana já extinta há vários anos.

De acordo com a equipa, os minicérebros demoram vários meses a desenvolverem-se e, em comparação com os minicérebros de humanos modernos, os “neanderóides” apresentam uma rede neural anormal.

São estas diferenças que sugerem que os Neandertais não conseguiam comunicar-se tão bem quanto nós. Os seus cérebros não estavam, simplesmente, preparados para isso.

Criados em laboratório, os minicérebros de Neandertal são muito semelhantes a pipocas do tamanho de uma ervilha. Mas, apesar do seu tamanho, os cientistas afirmam que o modo como os neurónios se desenvolveram é muito parecido com o modo como alguns neurónios se desenvolvem em pessoas que sofrem de autismo.

Ainda assim, a equipa não estabeleceu qualquer relação. “Não quero que as famílias concluam que estou a comparar as crianças autistas com neandertais, mas esta é, de facto, uma observação importante”, afirmou Alysson Muotri, geneticista da Universidade da Califórnia, à Science Magazine.

Estes minicérebros cultivados a partir de células estaminais pluripotentes dão aos cientistas a possibilidade de entender melhor o cérebro e como este órgão se desenvolve. Além disso, dão também aos cientistas a possibilidade de testar novos fármacos num modelo humano, embora simplificado, que produz resultados mais fiéis do que os testes em animais.

Os cientistas tentaram criar um minicérebro Neandertal, mas não criaram um Neandertal vivo. Em vez disso, usaram células estaminais para desenvolver uma versão minúscula e simplificada de um órgão muito semelhante ao cérebro.

Ainda assim, esta foi uma medida tomada para entender melhor os nossos antepassados menos afortunados, que nos poderia ajudar a perceber como nos tornámos na espécie que somos hoje.

https://zap.aeiou.pt/minicerebros-neandertal-laboratorio-207588

sábado, 4 de agosto de 2018

O Vale da Morte acaba de ter o mês mais quente já registado em qualquer lugar da Terra

No passado mês de julho, O Vale da Morte da Califórnia, nos Estados Unidos, teve o mês mais quente de sempre registado em qualquer lugar de todo o planeta.

Durante o dia e a noite, a temperatura média do Vale da Morte rondava os 42,3ºC, ultrapassando o recorde atingido há um ano em meio grau. A marca anterior à registada em julho, tinha quebrado um máximo histórico que durou 100 anos.

As temperaturas extremas sentida este ano no Vale – um dos ponto mais quentes do planeta – marcam um ano em que as temperaturas recordes caíram em todo o Hemisfério Norte.

Calor intenso e extremo no Vale da Morte é normal. No mês de julho, ainda mais. No entanto, a temperatura registada em julho deste ano está, em média, 3,5 graus acima do habitualmente registado (39ºC) – é difícil imaginar que um dos lugares mais quentes do planeta esteja ainda mais quente.


No entanto, os números são claros: a temperatura máxima atingiu os 39ºC em, pelo menos, 21 dias do mês – ultrapassando a média normalmente registada de 37ºC. Além disso, entre 24 e 27 de julho, a temperatura máxima atingiu os 53ºC, estabelecendo recordes em cada um desses quatro dias.

Esta marca não estava longe da temperatura mais alta registada na localidade nas últimas décadas, os 54ºC sentidos a 30 de junho de 2013. Quanto à temperatura mínima, esteve acima dos 38 graus durante 10 dias.

Estas temperaturas têm sido registados pelo Furnace Creek, que mora no coração do vale, a 58 metros abaixo do nível das águas do mar. Esta tem sido a estação meteorológica oficial do Vale da Morte há mais de 100 anos, remontando a 1911.

Julho incrivelmente quente
O Vale da Morte é mundialmente reconhecido por deter o recorde da temperatura mais quente já registada no planeta: 57ºC sentidos a 10 de julho de 1913.

Porém, esta medida é contestada. Alguns climatologistas acreditam que a temperatura máxima já registada de forma confiável em todo o planeta é de 54ºC, em junho de 2013.

Independentemente da legitimidade do registo de 1913, o calor deste mês de julho têm-se mostrado bem mais persistente. Em 1913, um dia do mês não chegou a atingir os 38ºC e houve ainda dois dias com temperaturas mínimas de 21ºC.

Este ano, a temperatura máxima mais baixa sentida no Vale foi de 45ºC e, mesmo à noite, a temperatura nunca desceu dos 28ºC. O recorde deste ano foi revelado pela primeira-vez por Brian Brettschneider, um investigador de clima da Universidade do Alasca e colaborador da Forbes.

No que respeita a recordes, este têm sido o mês mais “sombrio” do Vale da Morte. No entanto, o vale não está sozinho: várias regiões do oeste dos EUA têm sido assoladas por altas temperaturas. Vários locais já atingiram o seu julho mais quente e, em alguns casos, o mês mais quente de sempre.

https://zap.aeiou.pt/vale-morte-regista-mes-mais-quente-sempre-213192

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Hospitais privados avisam que o acesso dos beneficiários da ADSE aos seus serviços está em risco

a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) alertou que está em risco o acesso dos beneficiários da ADSE à rede convencionada.

O acesso dos beneficiários da ADSE, o subsistema dos funcionários públicos, aos serviços dos hospitais privados está em risco. Este é o alerta da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP).

“Se o caminho para a sustentabilidade passa por continuamente insultar publicamente os prestadores privados e proceder a corte administrativos cegos e insustentáveis, resta aos prestadores privados aceitar que os nomeados representantes dos beneficiários pretendem acabar com este subsistema“, afirma a APHP em comunicado.

Acusando o Instituto de Proteção e Assistência na Doença – ADSE de querer voltar a aplicar um corte de 10% no valor dos atos pagos aos hospitais privados, a APHP exige saber quem fala em nome da ADSE e depois “iniciar um novo ciclo de negociações, que parta da identificação prévia do objetivo global e final, rejeitando continuar a discussão de medidas avulsas”.

A associação diz que não é possível aos operadores privados manter a atividade com qualidade e segurança com esses cortes.

Além disso, explica que os prestadores convencionados receberam esta semana uma informação do conselho diretivo da ADSE que prova que, “mais uma vez”, a ADSE “só pretende impor cortes cegos”, sem qualquer lógica clínica, económica ou qualitativa.

“Os dirigentes da ADSE, que deveriam estar centrados na defesa do interesse dos seus beneficiários, voltam assim a querer pôr em causa a sustentabilidade de um subsistema de saúde em que mais de um milhão e 200 mil portugueses confiam”, avisa a associação, acrescentando que não aceita a postura nem a “ameaça constante de medidas pontuais”.

Com “cortes administrativos cegos” e insultos públicos aos operadores privados, estes terão de aceitar que a direção da ADSE quer acabar com o subsistema, frisa a associação.

A APHP termina o comunicado afirmando que não vê futuro no esforço de diálogo com a ADSE, que se não for reequacionado “levará necessariamente à redução da rede convencionada”.

https://zap.aeiou.pt/hospitais-privados-acesso-adse-risco-212160

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Falta de comboios obriga CP a ter novos horários

A CP – Comboios de Portugal vai ter novos horários já a partir de domingo, dia 5 de agosto. A informação foi avançada pela empresa de comboios, que mais tarde assegurou à agência Lusa que se tratam de alterações temporárias e só vigoram até novembro.

“A CP informa que, a partir de 5 de agosto (domingo), serão introduzidas alterações aos horários. Em breve serão aqui divulgados os novos horários”, pode ler-se no site da CP, sem especificar que alterações vêm a caminho.

Questionada pela Lusa, a empresa avançou que na linha do Oeste vão circular, a partir dessa data, 24 comboios por dia, com novas ligações. Em causa está uma “redução de cerca de quatro comboios”, mas também “uma nova lógica de ligações”.

Estas alterações ficam a dever-se a um “redimensionamento da oferta para adequação aos recursos disponíveis, ao nível do material circulante diesel no parque de material da CP", explicou a empresa.

https://www.noticiasaominuto.com/economia/1057791/cp-vai-ter-novos-horarios-ja-a-partir-de-domingo

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Governo tem travado todas as soluções para comboios de longo curso

Aluguer e compra de comboios rápidos foram proibidas por Pedro Marques. No horizonte pode estar a privatização do serviço de longo curso.

O Governo só deverá autorizar a CP a comprar 22 comboios para o serviço regional, deixando de fora do caderno de encargos a aquisição de comboios idênticos aos pendulares para reforçar o longo curso.

A proposta da anterior administração da CP, liderada por Manuel Queiró, contemplava a compra de 35 comboios, dos quais dez para as relações internacionais e para “o serviço de alta qualidade nacional”. O objectivo era responder à crescente procura que se fazia sentir e preparar a CP para o impacto da liberalização do transporte ferroviário de passageiros, prevista para 2019.

Contudo, a tutela só está a preparar a aquisição de automotoras híbridas (que podem circular com tracção diesel ou eléctrica) destinadas ao serviço regional que, curiosamente, é o mais deficitário, ao passo que os comboios de longo curso, sendo mais rentáveis e geradores de maiores receitas, poderiam ajudar ao retorno global do investimento.

Não é a primeira vez que o ministério de Pedro Marques cerceia as intenções da CP em potenciar o serviço de longo de curso. Em Dezembro de 2015 a administração da empresa pretendia alugar à sua congénere Renfe comboios S-120, capazes de circular a 250 Km/hora, para reforçar a frota dos 10 pendulares que estavam a atingir o período de meia vida.

O Porto – Corunha
Em Março de 2017, no documento CP XXI, a empresa propunha que, das 35 novas composições, cinco fossem “automotoras híbridas topo de gama para o serviço internacional”. E falava em “reinventar as ligações internacionais e criar novas ligações entre o Porto e a Galiza (até La Corunha)”, antecipando a liberalização.

O governo, porém, não deu seguimento à proposta.

Um ano depois a empresa pública DB, através da Arriva, anuncia que pretende explorar a ligação Corunha - Porto utilizando para tal material alugado à Renfe (proposta que a CP já fizera em 2015) ou através da compra de novo material (proposta da CP de 2017).

Na altura o número de passageiros estava a crescer e adivinhavam-se já os problemas relacionados com a falta de material circulante que acabaram por levar à actual situação de ruptura. Mas nove meses depois, em Setembro de 2016, Pedro Marques respondia com um rotundo não e procurava até colar a intenção da CP ao governo de Passos Coelho: “o governo optou por não dar andamento à intenção do anterior executivo de privilegiar e perpetuar a solução de aluguer de material circulante”.

O governante dizia ainda que estavam a ser desenvolvidas “análises complementares para o eventual reforço da oferta”. O certo é que nada foi feito que obviasse a falta de comboios, precisamente numa altura em que o número de passageiros não parava de aumentar.

Governo afirma que cenário de privatização da CP é “fantasioso”
A CP volta à carga novamente em Março de 2017 e entrega ao Governo um documento designado CP XXI onde propõe a compra de 35 composições (das quais dez para o longo curso), num investimento global estimado em 339 milhões de euros.

O documento, de 97 páginas, a que o PÚBLICO teve acesso, fundamenta em pormenor as opções de compra, baseado em dois cenários: o da “não aquisição de automotoras” e o da “aquisição de automotoras”. O primeiro implicava continuar a pagar à Renfe 20 milhões de euros por ano por 20 unidades para serviço regional e aumentar a despesa na manutenção e na recuperação de material envelhecido. O segundo iria “produzir serviços mais competitivos e mais atractivos (melhores velocidades, maior fiabilidade, menos transbordos e melhores condições de conforto), potenciando a captação de quota de mercado e o incremento dos rendimentos de tráfego”.

O Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, porém, não deu seguimento a esta proposta, que nunca chegaria a ser formalmente discutida entre a tutela e a CP. Esta última tentou forçar, em Junho de 2017, o lançamento do concurso público para que os novos comboios começassem a operar em finais de 2019, ainda a tempo da liberalização do transporte ferroviário de passageiros.

Mas Pedro Marques não se deixou convencer e semanas depois, em Junho de 2017, a administração de Manuel Queiró é substituída pela equipa liderada por Carlos Nogueira.

O resto da história é conhecida. Um ano depois, as dificuldades que o relatório CP XXI já antecipava e para as quais propunha soluções, levaram o transporte ferroviário ao cenário de ruptura actual.

Durante esse tempo, a CP deixou-se ficar sem opções: nem investiu na recuperação da frota (tanto a diesel como eléctrica) nem comprou novas unidades. Ao ponto do seu presidente, Carlos Nogueira, ter de anunciar no Parlamento aquilo que o seu ministro há dois anos entendia estar fora de questão: o aluguer de mais automotoras regionais à Renfe. E que entretanto, já foi confirmado pelo próprio ministro.

Por sua vez, Pedro Marques tem sublinhado ultimamente que a CP vai comprar material regional. Uma estratégia que lhe permite calar as críticas de que o Governo tem sido alvo por causa da questão ferroviária, dando a entender que já tem uma solução (que ainda por cima agrada aos autarcas).

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Quanto aos comboios de longo curso, não é certo que venham a ser comprados, mas é certo que, entretanto, a liberalização do serviço ferroviário de passageiros terá aberto o mercado português às empresas estrangeiras, nomeadamente, à Renfe, mas também à DB (através da Arriva), à SNCF e até a operadores portugueses de que a Barraqueiro (que já é um grupo rodoviário, ferroviário e de transporte aéreo) é um exemplo.

No cenário limite, está a privatização do serviço de longo curso da CP. Uma intenção que, paradoxalmente, fazia parte do programa eleitoral das eleições de 2015 da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) que pretendia privatizar os Alfas Pendulares e os Intercidades.

https://www.publico.pt/2018/07/29/economia/noticia/governo-tem-bloqueado-todas-as-solucoes-para-melhorar-ferrovia-1839372